Metamorfoses do neo-realismo - as ilustrações de Júlio Pomar para 'Uma Abelha na Chuva'
DOI:
https://doi.org/10.21747/21828954/ely27a2Abstract
úlio Pomar (1926-2018) e Carlos de Oliveira (1921-1981) partilharam as páginas da revista Vértice entre 1946 e 1953 com textos interventivos que se contam entre os que moldaram e afirmaram o neo-realismo em Portugal. Nas mesmas páginas e noutros lugares, Mário Dionísio (1916-1993) foi teorizando o neo-realismo, em diálogo com as práticas pictóricas e escritas, e marcando tanto o pintor como o escritor. Mais tarde, em 1975, Júlio Pomar fez seis pinturas para ilustrar uma edição especial de Uma Abelha na Chuva (Ed. Limiar, Porto, 1976). A abordagem de Júlio Pomar do romance de Carlos de Oliveira de 1953 nas pinturas a acrílico sobre papel é de um forte grafismo Pop, provocando um choque que podemos considerar transformativo da leitura do próprio texto. A partir dessas pinturas, procurarei mostrar como as metamorfoses do neo-realismo ocorridas na pintura de Júlio Pomar e na escrita de Carlos de Oliveira deixam entrever que a prática da teoria estética de matriz neo-realista foi híbrida, múltipla, mutável e derivativa — não no habitual significado pejorativo desta palavra, mas antes tendo em conta que se transformou e recriou ao longo do tempo.
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